ENTRE COLUNAS | Não é preciso


Acho genial a frase: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Fernando Pessoa quem escreveu, foi um poeta que nasceu no final do século XIX, mas se fosse atualmente, escreveria “pilotar é preciso”.

Naquela época, os desbravamentos e descobertas eram feitos pelo vapor. Avião é coisa da segunda metade do século XX. Um piloto de avião impreciso é uma catástrofe certa! O mesmo acontecia com o capitão da nau.


A precisão que se refere Fernando, é necessária em cada profissão, tem a ver com competência, com matemática. Saber usar as ferramentas que a lida exige. Imagina um médico sem precisão em uma cirurgia ou diagnóstico, um advogado em um tribunal, um engenheiro construindo arranha céus, um contador, administrador. Se estende também para quem opera na montagem de um carro, na colocação de um tijolo, na impressão de um folheto. É preciso ser preciso! E para os imprecisos, resta o amargor da incompetência e o desprezo do mercado.


Se a precisão está linkada a competência profissional, na vida é diferente e quando Fernando diz que “viver não é preciso”, não está se referindo a precisar, mas sim a precisão. Viver é impreciso! Se pensarmos bem, tudo que tem emoção, nos remete ao incerto.


Amar é impreciso! Por mais sólido que seja um amor, por quanto tempo resistirá a rotina do tempo? Ou a morte? Criar filhos é impreciso! Deus os livre das fatalidades, armadilhas do destino, vícios, violências. Diante de tanta imprecisão, é preciso ter fé na proteção divina, rezar e rezar.


Empreender é impreciso! Apesar do empreendedor se cercar dos mais diversos profissionais precisos, conta com a imprecisão do mercado. Quem imaginaria uma pandemia em nível mundial? Uma guerra em pleno século XXI? Será que meus colaboradores vêm trabalhar hoje? Quase tudo é impreciso para quem ousa ter seu próprio negócio.


Viver nunca será preciso! Não temos certezas dos dias que virão, muito menos do que acontecerá daqui há pouco. Quem não acredita que a vida pode mudar a qualquer minuto, é um louco impreciso.


Conforme a vida vai mudando, vamos nos adequando, rebolando, dando um jeitinho daqui e dali. Sendo otimistas, as vezes no caos, procurando usar a sabedoria nas escolhas, pois sábio é quem sabe viver, que sabe ser preciso quando precisa e entende e aceita a imprecisão de quase tudo que nos cerca.



Saul Sastre é professor, escritor,

administrador e mestre e engenharia




11 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo